Podemos
dizer que, oficialmente, começou o problema do Coronavírus em Portugal, pois só
agora, dia 13 março 2020, sexta-feira, o governo tomou, oficialmente, medidas de prevenção. Pecou por ser muito
tardio nas decisões! Neste dia saí para fazer compras para casa, e vejo que só
circula um décimo das pessoas, do que era o normal. Fui à grande loja e vejo
uma fila, mas não me apercebi o porquê. Quando lá chego, vejo o Segurança, então
percebi que a fila era a entrada, só entrava o número de pessoas correspondendo
ao número de pessoas que saía. Algumas lojas já fechadas. Restaurantes para o
vazio. Dois dizem «não coma aqui, leva para sua casa». Produtos de higiene escasseiam.
Farmácias com segurança de vidro e porta quase trancada. E neste dia, dia em que
o Papa Francisco foi eleito, o episcopado Português comunica que a partir do
dia catorze, sábado, deixa de haver Eucaristia com fiéis e Confissões
suspensas. Vendo o ambiente exterior, nas ruas, tudo isto fez-me recuar vinte e
dois anos, quase, na Guiné Bissau, a Guerra civil. Ruas desertas. Sem carros. Pessoas
muito poucas. Silêncio que só era interrompido, de quando em quando, pelas
metralhadoras, bombas, bazucas. Poucos produtos à venda. Lojas abertas, mas ‘sem
nada’. Povo tranquilo. Agora, nesta Europa, neste Portugal, a diferença é, para
mim, que na Guiné sabíamos onde estava o perigo das balas e bombas, pois ‘o som
indicava-nos tudo e precavíamo-nos’. Aqui o perigo, o vírus, é de outro modo e não
sabemos onde está, quem o tem ou quem o ‘atira sobre outrem’. Quase que não nos
sabemos defender, fugir, do perigo, o ‘vírus’. Aqui, na Europa, em Portugal,
com o ‘vírus’, faz lembrar o Antigo Testamento, o «contágio; o pecado original».
Tal como se pensava, e defendia, que o pecado «é contagioso, passa para outra
pessoa, e a doença é consequência do pecado, por isso se transmite», agora o
vírus é transmissível. Assusta. Horroriza. Amedronta. Impede de sair
livremente. Pessoas entram em paranoia. «Uma só pessoa foi contagiada, e não se
sabe como, e, de repente, muitas pessoas são contagiadas». «O ‘pecado original’
transmitiu-se e ‘apanhou’ pessoas desprevenidas, inocentes, puras, e ‘ficaram
contaminadas’». E a cura demora. A graça demora. E a graça quando chega e cura
«uma pessoa, só cura aquela pessoa e a cura não se transmite a outra pessoa,
mesmo inocentemente doente». Há contágio por causa da doença, mas não há contágio
por causa da cura. O ‘mal propaga-se, a graça não se propaga’! Meu Jesus, porque
será que uma pessoa que foi curada, purificada, tocando nela não se fica também
curado, purificado? Se toco em alguém doente, fico doente; se toco em alguém
sã, não fico sã! Porquê, Jesus? Sabemos que para se ter uma ferida, é rápido,
um segundo, um descuido; para a curar a ferida é preciso imenso tempo, é
preciso decisão, é precisa concentração, é precisa opção, é precisa aceitação,
é precisa paciência, é precisa fé, e é preciso amor em todo o tempo de cura. Mas
para se ter uma ferida, bastou um descuido! Assim Jesus, para eu errar, no mais
simples, é fácil, e na maioria das vezes nem tenho noção que me descuidei,
errei. Mas para ‘reparar este descuido’ é precisa uma enorme caminhada contra
mim próprio e de te aceitar com todo o meu ser! Cair é fácil, levantar é bem
difícil! Cair é fácil, levantar, muitas vezes, preciso de amparo, que alguém me
dê a sua mão, na qual me agarro e levanto! Senhor Jesus, todas as catástrofes
que temos tido, ultimamente, a humanidade é a verdadeira culpada. Este ‘coronavírus’,
bem como os anteriores, a humanidade é a culpada. Diz-se que «foram
brincadeiras de laboratório que correram mal e se espalharam». Ou que «foram
mesmo fabricadas pela humanidade para prejudicar a humanidade, com fins
económicos, por exemplo», mas que ficaram descontrolados. É tal como nos filmes
de ficção. A humanidade é a culpada dos seus próprios males, mas, infelizmente,
quem paga «é o inocente». Senhor Jesus, rogo por nós que acreditamos em ti, e
rogo pelos que já te conhecem, mas te recusam, e rogo por aqueles que nem sabem
de ti, para que nos cures, não olhando aos nossos erros, mas à fé dos que te
aceitam! Cura-nos! Ilumina os técnicos de laboratório para, rapidamente, terem
a resposta para este mal! Na Cruz disseste, no Evangelho de Lucas: «Pai,
perdoa-lhes porque não sabem o que fazem», perdoa a quem provocou esta
catástrofe, e ilumina os que tentam ter a resposta para terminar com esta
catástrofe! Tem dor de nós, Jesus! O Exílio de Babilónia foi uma catástrofe
para o teu Povo israelita, por ser deportado. Em Babilónia corrigiram e melhoraram
a sua teologia. A tua Pessoa, Deus. passou a ser vista e vivida de uma outra
maneira. Evoluíram de um modo estrondoso. Foi preciso o Exilio de Babilónia
para ‘corrigirem a sua teologia’! Agora, Jesus, com esta doença mundial, que
mexe com todos, e com a tua Igreja, faz que a tua Igreja se corrija, melhore,
tire imensa luz desta mundial doença! Que a tua Igreja seja mais amorosa e
menos legalista! Que a tua Igreja veja a Eucaristia e a Confissão com maior
dimensão de amor, e não de legalismo! Que não veja erros e pecados ‘em tudo’,
mas veja amor, grande ou pequeno, em tudo! Que esta situação atual, mundial,
seja uma enorme Luz para a tua Igreja, Jesus! Jesus, aproveita esta situação
horrível para renovar a tua Igreja! Que esta situação se torne, depois,
maravilhosa na renovação da Igreja e da Humanidade! Venha um novo viver! Que todos
tirem fruto de sabedoria - ciência e de vida desta situação! Jesus, tu és a
Vida! Maranatha! Vem, Senhor Jesus! Senhor Jesus, que possamos celebrar a tua
Páscoa com o teu Povo! Conceda esta graça a ti mesmo, Jesus! Que este teu Povo,
Jesus, sinta cada vez mais fome e sede de ti!
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