Epifania |
No
Evangelho de Lucas, os Anjos vão levar a notícia aos pastores e estes, de
imediato, vão em busca do Menino acabado de ser dado à luz.
Em
Mateus, os não judeus buscam o Menino, o Rei. Aqui houve um anúncio, segundo a
cultura que possam usar, e que vem também ‘do céu’, dos astros. Eram três Personagens
que procuravam o Menino.
O
número três tem o seu significado, não é um número matemático, por exemplo, mas
uma simbologia, como todos os números na Bíblia.
O
três tem profundamente este sentido, significado: de perfeição, totalidade.
Comecemos pelo divino, a Santíssima Trindade; avancemos em outras comparações:
Deus, Anjos, Humanidade; a Família: Pai, Mãe, Descendentes; passado, presente,
futuro. No Antigo Testamento temos vários acontecimentos sob o número ‘três’,
mas recordemos os três dias em que Jonas esteve no ventre do peixe e que Jesus
fará menção para anunciar os três dias em que Jesus estará no ventre da terra
até à sua ressurreição. As três tentações a que Jesus esteve sujeito. As três
figuras no monte, quando Jesus é transfigurado, e os três discípulos, os íntimos
que estarão ‘sempre’ com Jesus. As três negações de Pedro. Este grande sentido
da espiritualidade: esmola, jejum, oração. E agora os três Magos que procuram
Jesus e O encontram.
Estes
três Personagens, sem dúvida, querem representar todos os Povos conhecidos na
altura, os três continentes: Ásia, Europa, África. Ainda não se tinham dado as
descobertas, pelo Povo português em que se «deu novos mundos ao mundo».
Com
estes três Personagens, em Mateus, todos os Povos são chamados a seguirem
Jesus. Todos os Povos são salvos em Jesus e por Jesus. Jesus, como Homem
histórico, é judeu, mas nascido como judeu é da Humanidade. a Verdade, a Luz,
surgiu em primeiro lugar no Povo judeu, mas é para a Humanidade.
Com
estes Personagens, Jesus quer ser conhecido e aceite pela Humanidade e não
somente por uma parcela da Humanidade.
Estes
três Personagens oferecem o que de melhor podiam dar Àquele a quem procuravam.
Eu
tenho de dar o que de melhor posso dar a este Jesus que é o dar-me a mim
próprio. Oferecer a minha Pessoa a Jesus. Oferecer todo o meu agir. Posso, ao
oferecer algo, dizer «que eu estou naquilo que eu ofereço», mas dar-se a si
próprio tem outra dimensão de amor. Jesus deu-se a nós ao encarnar. Jesus
deu-se a nós na Eucaristia. Jesus deu-se a nós na Cruz.
Na
Epifania, Jesus deseja a grande oferta de cada Pessoa: doar-se a Jesus em favor
do Próximo. Assim temos, uma vez mais, o três: Jesus, o Próximo, eu. Inverter o
pronome pessoal, como São Francisco de Assis o fez: Ele – Deus; Tu; Eu.
Jesus
só pode ser meu, e eu só posso ser de Jesus, através do Próximo.
«Ninguém
pode amar a Deus sem amar o Próximo», diz-nos São João na sua Carta primeira.
No
final do Encontro com Jesus, os Magos «regressam a Casa por outro Caminho». É o
sentido de quem encontra Jesus, pois não fica igual como era e não quer ser
como era, e não quer continuar a trilhar o caminho que antes trilhava. Agora
quer outro Caminho, quer ser outra Pessoa. Não quer o mesmo estilo devida que tinha.
frvra