segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Os Magos não regressaram pelo mesmo caminho



 

Epifania

  Celebramos a Epifania de Jesus aos não judeus. Jesus é descoberto pelos não judeus.

No Evangelho de Lucas, os Anjos vão levar a notícia aos pastores e estes, de imediato, vão em busca do Menino acabado de ser dado à luz.

Em Mateus, os não judeus buscam o Menino, o Rei. Aqui houve um anúncio, segundo a cultura que possam usar, e que vem também ‘do céu’, dos astros. Eram três Personagens que procuravam o Menino.

O número três tem o seu significado, não é um número matemático, por exemplo, mas uma simbologia, como todos os números na Bíblia.

O três tem profundamente este sentido, significado: de perfeição, totalidade. Comecemos pelo divino, a Santíssima Trindade; avancemos em outras comparações: Deus, Anjos, Humanidade; a Família: Pai, Mãe, Descendentes; passado, presente, futuro. No Antigo Testamento temos vários acontecimentos sob o número ‘três’, mas recordemos os três dias em que Jonas esteve no ventre do peixe e que Jesus fará menção para anunciar os três dias em que Jesus estará no ventre da terra até à sua ressurreição. As três tentações a que Jesus esteve sujeito. As três figuras no monte, quando Jesus é transfigurado, e os três discípulos, os íntimos que estarão ‘sempre’ com Jesus. As três negações de Pedro. Este grande sentido da espiritualidade: esmola, jejum, oração. E agora os três Magos que procuram Jesus e O encontram.

Estes três Personagens, sem dúvida, querem representar todos os Povos conhecidos na altura, os três continentes: Ásia, Europa, África. Ainda não se tinham dado as descobertas, pelo Povo português em que se «deu novos mundos ao mundo».

Com estes três Personagens, em Mateus, todos os Povos são chamados a seguirem Jesus. Todos os Povos são salvos em Jesus e por Jesus. Jesus, como Homem histórico, é judeu, mas nascido como judeu é da Humanidade. a Verdade, a Luz, surgiu em primeiro lugar no Povo judeu, mas é para a Humanidade.

Com estes Personagens, Jesus quer ser conhecido e aceite pela Humanidade e não somente por uma parcela da Humanidade.

Estes três Personagens oferecem o que de melhor podiam dar Àquele a quem procuravam.

Eu tenho de dar o que de melhor posso dar a este Jesus que é o dar-me a mim próprio. Oferecer a minha Pessoa a Jesus. Oferecer todo o meu agir. Posso, ao oferecer algo, dizer «que eu estou naquilo que eu ofereço», mas dar-se a si próprio tem outra dimensão de amor. Jesus deu-se a nós ao encarnar. Jesus deu-se a nós na Eucaristia. Jesus deu-se a nós na Cruz.

Na Epifania, Jesus deseja a grande oferta de cada Pessoa: doar-se a Jesus em favor do Próximo. Assim temos, uma vez mais, o três: Jesus, o Próximo, eu. Inverter o pronome pessoal, como São Francisco de Assis o fez: Ele – Deus; Tu; Eu.

Jesus só pode ser meu, e eu só posso ser de Jesus, através do Próximo.

«Ninguém pode amar a Deus sem amar o Próximo», diz-nos São João na sua Carta primeira.

No final do Encontro com Jesus, os Magos «regressam a Casa por outro Caminho». É o sentido de quem encontra Jesus, pois não fica igual como era e não quer ser como era, e não quer continuar a trilhar o caminho que antes trilhava. Agora quer outro Caminho, quer ser outra Pessoa. Não quer o mesmo estilo devida que tinha. 

 

frvra

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